Guarda-roupa para o trabalho x guarda-roupa para lazer: existe mesmo essa divisão?

Publicado em 06/11/2017

É comum que muitas pessoas se deparem com indecisões no momento de se vestir para trabalhar: afinal, a sua identidade precisa transparecer em sua imagem, e ter a consciência sobre quais mensagens desejamos passar e como, muitas vezes, exige um acompanhamento profissional adequado. O fato é que são diversos os posts e reportagens com indicações sobre "como montar um guarda-roupa para o trabalho", trazendo novas dúvidas para a cabeça de quem está buscando se vestir de forma mais inteligente e autêntica.

Afinal, existiria mesmo uma separação entre as peças que escolhemos para usar no trabalho e aquelas que usamos durante o lazer?

Aqui na Interno Estilo, defendemos que essa distinção não é tão simples assim. Entenda o porquê!


O que seria um "guarda-roupa para trabalho"?

Segundo a visão de alguns consultores de estilo e profissionais da moda, o guarda-roupa para o trabalho seria uma combinação de peças destinadas a serem utilizadas somente no ambiente corporativo, de maneira que as peças para o lazer não ficassem desgastadas pela rotina. Essa combinação também seria capaz de agilizar o cotidiano do usuário, já que ele não precisaria "perder tempo" escolhendo peças que o deixariam mais "arrumado".

Aqui na Interno Estilo, porém, acreditamos em uma abordagem um pouco mais ampla sobre a questão. E ela começa com algumas provocações: afinal, será que essa praticidade na hora de se vestir seria conquistada apenas com peças atemporais e de boa qualidade? As peças que ficam desgastadas pela rotina estão "sofrendo" apenas com o uso ou por uma falta de identificação entre elas e o usuário?

Quais são os itens indispensáveis para um "guarda-roupa para trabalho"?

A resposta varia de pessoa para pessoa. Alguns consultores de estilo defendem a montagem de um guarda-roupa básico, que inclua terninhos e tailleurs em cores neutras, blazers, camisas, vestido simples e preto, sandálias fechadas, bolsa de cor neutra, bons sapatos sociais, relógio de pulso, dentre outros.

A grande questão é que mesmo esses itens básicos precisam passar por uma avaliação criteriosa antes de serem incorporados em seu visual. A partir de um estudo sobre o seu estilo de vida, um bom profissional entenderá o que é realmente importante para o seu armário.

Os motivos para isso são diversos. Além das peças de roupa não serem projetadas para atender todos os tipos de usuários, muitas pessoas simplesmente não se sentem bem com certos itens do guarda-roupa. Então, de que adiantaria nós recomendarmos que você tenha um bom blazer de risca-de-giz se você se sente incomodado todas as vezes que se depara com a estampa? Mesmo a boa e velha camisa branca pode causar incômodos, especialmente para quem opera em locais muito quentes. Tem algo mais deselegante que usar uma peça somente pela obrigação, e andar por aí como se estivesse com formigas passeando pelo corpo?

Acreditamos que essas indicações exigem muita responsabilidade por parte dos profissionais de moda e estilo. Muitas pessoas, inseguras, investem em peças que acabam paradas no armário pelo simples fato de terem apostado em um produto que não correspondeu às suas necessidades mais íntimas. Uma camisa branca, por si só, não é capaz de fazer com que você pareça mais competente, mas uma mudança de postura aliada a essa peça certamente podem transformar a imagem que você tem.

Por parte das empresas, é essencial que elas tornem o dresscode (código de vestimenta) muito claro entre os colaboradores, o que exige um posicionamento de marca amadurecido. Fazer com que esses códigos sejam entendidos pelos funcionários não só diminui as dúvidas na hora deles escolherem o que vestir, como também torna a mensagem de sua empresa mais clara entre o público interno.

Lembre-se: seus colaboradores são um dos principais porta-vozes de sua marca, e é essencial que eles entendam a sua mensagem de forma clara, evitando gargalos de comunicação! Somente com uma gestão de marca transparente entre o corpo de funcionários, as empresas tiram o dresscode do âmbito da "obrigação" para transformá-lo, estrategicamente, em uma "função".

Se precisássemos dar uma resposta objetiva para a pergunta deste subtítulo, diríamos: "autoconhecimento". Para que sua imagem corresponda à sua identidade profissional, é preciso que você entenda:

Qual é a mensagem que você deseja passar sobre si para seus colegas de trabalho?

Qual é o seu ambiente de trabalho?

Quais são as suas atividades dentro de sua empresa?

Quais atividades você gostaria de exercer?

Quais são suas referências profissionais?

Está vendo como a construção de um guarda-roupa inteligente funciona como uma espécie de terapia? Investigar é preciso!


É preciso adquirir peças especialmente para o trabalho?

Não. Uma série de peças apontadas como ideais para o ambiente de trabalho também podem ser utilizadas nos momentos de lazer. Consumir de forma consciente é também enxergar diferentes possibilidades para um item no guarda-roupa, e uma peça de boa qualidade, com bom tecido e acabamento bem feito, conservará um aspecto satisfatório transitando entre os mais diversos universos.

Dessa forma, um blazer de ótimo caimento cairá muito bem no happy hour e pode ganhar um ar mais despojado nos encontros com os amigos. O vestidinho branco dos domingos pode levar um pouco mais de leveza para o escritório. Assim como as palavras que aqui usamos também podem ser rearranjadas para contar uma piada ou construir o roteiro de um filme, é preciso que você tenha o bom senso de combinar essas peças de roupa para transmitir a mensagem que você deseja!

Respondendo às questões do primeiro tópico, a praticidade na hora de se vestir não se deve apenas a variedade de peças que temos. De pouco adianta ter um guarda-roupa cheio de bons itens se você não sabe como coordená-los a seu favor e se eles continuam "brigando" com a sua identidade.

Quanto ao desgaste da rotina, vale questionar se as peças que você adquire têm boa qualidade e se este cansaço em relação a elas tem alguma relação com a sua rotina. Se uma blusa passa a remeter a um certo desconforto, você não livrará dele adquirindo peças novas. É preciso investigar o que causa essa sensação e o que é possível ser feito em relação a ela. Uma ajuda profissional será importante nessa investigação.

Gostou de nosso post? Tem alguma dúvida sobre guarda-roupa para trabalho, imagem corporativa, estilo pessoal ou mesmo sobre quais peças utilizar em uma reunião para negócios? Comente abaixo ou compartilhe suas questões no e-mail contato@internoestilo.com.br. Seus feedbacks podem virar pauta aqui no blog. Venha trocar ideias conosco!