O fim do dresscode nas empresas: chegou a hora de sermos nós mesmos?

Publicado em 22/04/2019

Quando você ou um amigo próximo fez uma tatuagem, provavelmente escutou algo como: "Mas e se você arrumar um emprego, o que vai fazer?" De fato, há alguns anos, o uso de tatuagens, piercings, cabelos coloridos e outros elementos semelhantes era um estigma. Contudo, mais uma vez, o Vale do Silício sacudiu as nossas perspectivas e mostrou que permitir uma expressão visual mais autêntica no ambiente de trabalho colabora, e muito, com os resultados das empresas.

Seguindo esse exemplo, companhias em segmentos bastante tradicionais aboliram o dresscode, permitindo que seus funcionários vestissem como desejassem, desde que usassem o bom-senso. Foram os casos da IBM, Itaú Unibanco e TotsTV, que colheram resultados positivos, especialmente em termos de saúde do ambiente de trabalho, como explicarei a seguir.


"Seja você mesmo": fator que impulsiona resultados

A abolição do dresscode é uma maneira de fazer com que o ambiente de trabalho se torne mais diverso, com abertura para abrigar diferentes expressões de cultura, gênero e origem. Aquela figura do executivo de terno, típico dos bancos de imagem e que tanto caracterizava os ambientes corporativos, está caindo por terra. A tecnologia fez com que as companhias ficassem mais expostas à comunidade. Nunca foi tão importante esclarecer e reafirmar os valores de uma empresa.

Além da expressão de diversidade, abolir o dresscode também faz com que o ambiente de trabalho se torne mais atraente para jovens profissionais, o que, aliado a outras diretrizes da cultura corporativa, fomenta a inovação. Isso não significa que o ambiente vá se tornar informal ou desleixado: conforme o exemplo da IBM e do Itaú Unibanco, com boas diretrizes, funcionários representarão a imagem da empresa com excelência, sem perder a autonomia ou a autenticidade. No McDonald's, desde que o dresscode foi revisto, o absenteísmo entre funcionários caiu 75%, conforme verificamos nessa reportagem da Revista PEGN. O engajamento dos funcionários também é notavelmente maior em ambientes mais flexíveis, o que reflete diretamente na produtividade das companhias.

Como o filósofo Byung-Chul Han afirma, para bem ou para mal, vivemos em uma sociedade de indivíduos singularizados. As pessoas querem expressar o que são e o que pensam em suas redes sociais, nos lugares que frequentam e em suas expressões visuais. Elas vêem em turbantes, dreads, estampas e outros adereços uma forma de demarcar e fortalecer suas identidades, de modo que assim, elas se sintam parte de um grupo e narrem suas histórias.

Seria injusto dizer que a necessidade de afirmar a própria identidade seja uma característica dos profissionais da geração Y ou Z. Afinal, muitas pessoas da minha idade sequer puderam utilizar seus símbolos de fé em ambiente de trabalho. Todos nós desejamos contar as nossas histórias e sermos ouvidos, e o vestuário é um importante recurso para isso.

Expressão autêntica e a necessidade do autoconhecimento

Uma sociedade de indivíduos singularizados é também marcada por efemeridades e desconsertos de imagem. Quantas vezes não nos sentimos confusos diante de tantas imagens de sucesso em nossos feeds, ou caímos nas narrativas simplistas de sucesso que parecem beneficiar apenas algumas pessoas? Como comunicar, então, os nossos objetivos e a nossa história de uma maneira inteligente, de modo que nossos negócios sejam beneficiados e melhoremos as nossas conexões uns com os outros?

Para uma expressão inteligente do que torna você e seus clientes/funcionários mais autênticos, não há fórmula mágica: é preciso, antes, investir em autoconhecimento. Se você quer entender sobre como entendo esse conceito a partir do que aprendi na psicanálise e com estudos sobre a imagem pessoal, acompanhe meu trabalho também no Instagram. Convido-os também para participar do curso "Imagem Corporativa", de Lílian Riskalla, no qual ministrarei o módulo de autoconhecimento. Anote as informações abaixo e compareça!

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Fotos: Brooke Cagle e Alexandra Marcu on Unsplash